De escritor para escritores

14993288_1355039351175039_5940162569923065190_nEm Sobre a Escrita, Stephen King diz: “o Advérbio não é seu amigo.” O que ele quer dizer com isso é que se você precisa usar um advérbio para tentar explicar o tipo de ação que está escrevendo é porque a sua ação não está bem descrita e, apoiando-se no advérbio, seu texto vai ficar pobre e chato.

Por exemplo: numa briga de casal um deles sai do quarto e bate a porta. Se você precisar dizer que ele bateu a porta “fortemente” é porque a sua cena não foi bem descrita, senão seria óbvio que a batida da porta não tinha sido calmamente, suavemente ou delicadamente. Faz sentido?

E, de maneira geral, os piores advérbios são aqueles que seguem o ela disse e ele disse. Exemplo:

Ela disse alegremente: Oi
Ele respondeu timidamente: Olá
Ela disse enfaticamente Oi
Ele gritou energicamente: Olá.

Aí vem a minha dica (olha eu me comparando ao Stephen King…): use a revisão para cortar os advérbios. Dica óbvia, né? Mas, a sugestão principal vem agora: no word, use a ferramenta “procurar” e escreva “mente”: vão surgir todos os advérbios finalizados em mente no seu texto. Passe a caneta neles! Você consegue encontrar uma forma melhor de explicar a ação (e na maioria dos casos, você vai perceber que a ação já está explicada, basta cortar mesmo).

15284031_1371038129575161_4219939269394316013_nEm outras palavras, Ernest Hemingway relembra que Menos é Mais:

“ELIMINE TODA A PALAVRA SUPÉRFLUA”

Hemingway afirma que as regras abaixo foram algumas das melhores lições que ele aprendeu em sua vida:
– Use frases curtas. Use parágrafos de abertura curtos. Use uma linguagem vigorosa. Seja positivo, não negativo.
– Elimine toda palavra supérflua: escreva “Velório será Terça, às 2 horas” e não “O velório será realizado às 2 horas na Terça”. “Ele disse” é melhor que “No curso da conversação, ele disse”.
– Evite o uso de adjetivos, especialmente os extravagantes, como “esplêndido”, “deslumbrante”, “grandioso”, “magnífico”, etc.
– Uma citação longa antes de introduzir o autor da frase pode ser confusa e é ruim em qualquer situação. Interrompa a citação tão cedo quanto puder: “‘Eu gostaria’, disse o orador, ‘de informar o leitor que serei tão breve quanto possível.’”

15965218_1430931066919200_6312663961002727064_nAcho que não é preciso apresentações mas, para os mais distraídos, George R.R. Martin é o escritor de As Crônicas de Gelo e Fogo, livros que deram origem à série Game of Thrones. Veja uma dica dele para os novos escritores de fantasia, mas que também vale para os de outros gêneros literários:

“Dada a realidade do mercado de ficção cientifica e fantasia atual, eu sugiro também que qualquer aspirante a escritor comece com histórias curtas, contos. Hoje me dia eu vejo muitos escritores novos tentando começar de cara com uma novela ou uma trilogia, ou até mesmo com uma série de nove livros. É como começar a escalar de cara pelo Monte Everest. Histórias curtas vão ajuda-lo a aprender seu ofício. Elas são o lugar certo para cometer os erros que todo escritor iniciante vai cometer. E são ainda o melhor caminho para um escritor iniciante aparecer, já que as revistas e coletâneas de contos estão sempre procurando por contos de fantasia e ficção cientifica. Uma vez que você tiver vendido esses contos por uns cinco anos, você terá construído seu nome e editores irão começar a lhe perguntar sobre seu primeiro romance.”

Ou, como disse J.R.R. Tolkien: Little by Little One Travels Far!

15356686_1390152917663682_551965117768726091_nA maioria das pessoas tem a ideia romântica de que artistas devem trabalhar de acordo com sua inspiração, que não têm hora para trabalhar… Na prática, não é bem assim.

A grande maioria dos escritores ou especialistas no trabalho da escrita sugere que escritores devem manter um cronograma de trabalho e seguí-lo à risca. Completando a ideia da imagem, Henry Miller também afirma:

“Quando você não puder criar, você pode trabalhar.”

Há sempre algo a fazer no processo de escrever uma história: completar ideias, escrever frases soltas na esperança de que uma faça sentido, rever conteúdos, elaborar diálogos, buscar referências, etc.

Numa mesma perspectiva, Stephen King, em seu livro Sobre a Escrita que já mencionei muitas vezes aqui no blog, dá os seguintes conselhos:

Escreva a cada dia
Se você falha em escrever diariamente a empolgação com a ideia pode começar a sumir. Quando o trabalho começa a parecer um trabalho, King descreve esse momento como “o beijo da morte”. O conselho dele é escrever uma palavra de cada vez.

Termine seu primeiro rascunho em três meses
King gosta de escrever 10 páginas por dia. Em um prazo de três meses, isso soma em torno de 180.000 palavras. “O primeiro rascunho de um livro – mesmo dos longos – não deve demorar mais de três meses, o tempo de uma estação”. Se você passa tempo demais em uma peça, King acredita que a história começa a ter uma sensação estrangeira.

 

16174418_1446607248684915_5746598118875610736_nAcho essa dica do J.R.R. Tolkien muito apropriada para os dias de hoje em que as plataformas de escrita gratuita ou de autopublicação são inundadas com milhares de textos semelhantes, sendo a maioria inspirados em blockbusters cinematográficos. Os novos escritores ficam tão preocupados em escrever algo que todo mundo vá gostar e acaba escrevendo algo que todo mundo já leu.

Num curso que fiz recentemente com Lourenço Mutarelli, ele falou algo semelhante, com outras palavras: cada escritor deve ter a sua voz. Ele mesmo foi contra todas as tendências quando se lançou no mundo dos quadrinhos e conseguiu chamar a atenção do mercado e dos leitores pela sua autenticidade.

No livro que já mencionei inúmeras vezes, Sobre a Escrita, de Stephen King (gostei mesmo do livro e recomendo a todo mundo que gosta ou sonha em escrever) o autor reforça que cada escritor deve escrever sobre aquilo que conhece. O que não significa que ele não possa pesquisar sobre assuntos, aprofundar temas, mas que uma pessoa que a vida inteira gostou de ler e assistir filmes sobre ficção científica terá muito mais facilidade e, provavelmente, escreverá histórias muito mais verossímeis e envolventes do que alguém que não tem familiaridade com o tema. Da mesma maneira, se tiver que criar uma profissão para uma personagem, faz sentido que se crie uma que você conheça ou com a qual tenha familiaridade, senão a personagem não convencerá os leitores.

A experiência de cada pessoa, aquilo que as motiva, que as emociona, que desperta o seu interesse poderá resultar em histórias mais originais e com maior apelo para os leitores do que escrever cópias de tendências por insegurança ou por uma tentativa de encontrar fórmulas de sucesso.

E agora, mãos à obra!

** Página sempre em construção. Se quiser mandar dicas para acrescentar aqui, deixe nos comentários ou envie para reschermann@gmail.com que dou crédito e/ou link para página/ blog.

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