O meu primeiro romance!

Quando terminei de escrever a primeira versão de Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas Depois de Morto, tive vontade de publicá-lo logo no wattpad, mas… fui seduzida pelos concursos literários, pela possiblidade de ser descoberta por editoras, pelos editais para literatura. Tentei muitos, não tive sucesso e comecei a duvidar do meu texto, depois do conteúdo e acabei por deixar o livro de lado.

Dei início a outros livros que não avançaram, lancei meu blog, minha página no facebook, publiquei meus contos no wattpad… Então, reli o meu livro. E me diverti, me emocionei e senti que era hora dele ser lido por mais pessoas.

Vou lançá-lo amanhã, dia 21 de janeiro, no wattpad, publicando novos capítulos semanalmente. (Não publico o livro aqui porque blog não é uma plataforma amigável para a publicação de longos textos com muitos capítulos…).

Para os seguidores desse blog, segue em primeira mão os dois primeiros capítulos:

1. A MORTE

“O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.”

Fernando Pessoa

-       Hoje é um dia de grande tristeza para todos nós

– Hoje é um dia de grande tristeza para todos nós…

Luísa parou de prestar atenção por aí. Todos nós? Sério? O que ele tinha a ver com isso? Por que estaria triste? Ele não a conhecia, nunca falou com a minha mãe, tudo o que sabe sobre ela está escrito num pequeno papel, informações soltas sobre a personalidade e conquistas dela que meu pai tinha escrito com grande esforço entre lágrimas e soluços. Ele não sabia que minha mãe detestaria a roupa que eu estou usando, que teria implicado com meu cabelo e que hoje seria um dia importante para ela pois haveria uma auditoria no Hospital para qual ela vinha se preparando há semanas. Não conhecia a sua risada, seu jeito impositivo, sua maneira de fazer todos concordarem com suas ideias, mesmo que não acreditassem nelas. Não sabia que minha mãe sonhava que eu me tornasse médica e que meu pai viesse a ser um grande escritor. E que nós nos sentíamos medíocres por não corresponder aos seus sonhos…

– Diante da morte todos os homens são iguais…

Minha mãe teria odiado essa frase – Os lábios de Luísa se contraíram numa tentativa de disfarçar uma risada sarcástica – Aliás, ela teria odiado isso tudo. As flores, tão comuns, o discurso ensaiado do padre, o ar de desespero do meu pai, as conversinhas sussurradas por um público menos interessado. Mas, ela teria gostado da multidão que tinha se reunido num domingo de manhã para se despedir dela. Do seu corpo arrumado no seu tailleur predileto, do seu rosto bem maquiado, como ela usava em noites especiais, com o cabelo preso num coque revelando a sua pele bem cuidada. Ela não estava sorrindo, não seria apropriado, mas também não estava triste. Tinha um ar orgulhoso. No que ela estaria pensando quando morreu?

– Que aceitemos ou não, a morte é o salário do pecado…

Credo! O que esse homem está falando? Eu não acredito nisso. Minha mãe não acreditaria nisso. Acreditaria? Aliás, por que estamos fazendo um enterro católico. Não somos católicos. Somos? – Lembrou-se da estante da entrada de casa com um Shiva colorido que sua mãe tinha ganhado de uma amiga que feito uma viagem à Índia. A pequena estatueta estava ao lado de um livro sobre divindades xamânicas que estava suportado por uma réplica de um Buda Deitado. Pensou em Teresinha, a antiga babá de Isabela, a primeira a aparecer após a notícia de sua morte com uma mensagem do Terreiro de Bábá Larê em Pirituba  – ela está em paz – prometendo uma oferenda a Iansã. Lembrou-se de rezar com sua mãe, quando pequena, para um anjinho da guarda, de ir ao Bar Mitzvah de alguns amigos de escola e de nunca ter entendido o que é a Páscoa – No que a gente acredita?!

– A morte não é o fim.

– Não? Então onde está minha mãe agora? – Luísa não tinha percebido que tinha falado alto. O padre interrompeu o sermão. Uma senhora de quem Luísa não se lembrava se aproximou e disse:

– Isabela está no céu, ao lado de Jesus e de muitos anjinhos…

Luísa riu. Não queria ter feito, mas fez. Riu alto e desdenhoso. E acrescentou:

– Sei… Pagando os seu pecados com a morte? Vocês não conheciam ela. Deixem ela em paz… – e saiu correndo.

Velas dançantes, suspensas por candelabros dourados de estilo rococó produziam um jogo de sombras nas cortinas de veludo cor de vinho tinto que emolduravam o longo caminho que levava a uma majestosa porta com anjos e imagens celestiais entalhados. Entreaberta, a porta deixava passar um feixe de luz rosado e uma suave melodia de Schubert.

Exatamente como eu tinha imaginado.

– Vão em paz!

Como ele poderia ir em paz? Isabela tinha ido embora. Depois de 30 anos sendo dois, Ricardo tinha voltado a ser um. Um… não. Ele tinha uma filha. Luísa. E não tinha a menor de ideia de como ser pai sozinho. Foi atrás dela.

2. O ELEVADOR

“Não é que eu tenha medo de morrer.

É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer.”

Woody Allen

Ai meu Deus, será que vou Lhe encontrar? A ansiedade de Isabela aumentava a cada passo em direção à porta dourada

Ai meu Deus, será que vou Lhe encontrar? A ansiedade de Isabela aumentava a cada passo em direção à porta dourada. Talvez não num primeiro encontro, lógico. Mas São Pedro deve estar à minha espera. Eu sei que é São Pedro do outro lado da porta. Acelerou o passo, a melodia de Schubert ficou mais alta e a luz mais forte. Tinha certeza que encontraria um céu rosado, anjos rezando e entoando belas melodias para Deus que estaria sentado majestosamente sobre uma grande nuvem velando por Sua Criação.

A porta se abriu como mágica, a luz intensa a cegou e Isabela só não desmaiou porque já estava numa etapa mais avançada: estava morta. Teve dificuldade em abrir os olhos, focou a visão tentando dissipar o efeito da luminosidade e então… Choque!

Estava no meio da Avenida Paulista. Literalmente no meio.

Um grito de espanto e pânico ecoou enquanto tentava fugir para a calçada. Confusa, começou a falar com as pessoas que passavam pela Avenida.

– Você viu? Você viu? Ai meu Deus, quase que morro! – Eram muitos os que por lá transitavam, mas ninguém parecia se importar – Ué, me tornei invisível ou as pessoas mais insensíveis? Povo egoísta…

– Pode parar. Você não vai conseguir chamar a atenção deles.

– Oi! Quem falou comigo?

– Ainda não entendeu como funciona?

– Como funciona o que? Quem é você?

– Xi, você é uma novata, não é?

– Novata? Não… Claro que não! Quer dizer, talvez eu seja… Novata em quê?

– Não entendo como vocês vêm parar aqui – Isabela olhou para cima e viu um senhor mais ou menos da sua idade sentado em cima do semáforo. Esfregou os olhos, não podia ser verdade. Ele flutuou até o seu lado.

– Ãh? Mas… Mas…

– Dona…?

– Ãh?

– Dona?

Não respondeu. Estava perplexa.

– Seu nome?

– Ãh?! Isabela. Mas…

– Ok, Dona Isabela, você sabe onde está?

– Na Avenida Paulista, uai! Olha ali o MASP…

– Não, não… Você sabe que a senhora morreu, não sabe?

– Então, eu pensava que sim. Achava que ia encontrar São Pedro, nuvens, anjos… Talvez harpas. Adoro harpas, sabe? Eu quis estudar harpa, mas minha mãe…

– Está bem. Então você sabe que morreu. Menos mal. Às vezes aparecem uns por aqui mais desinformados… Aí é uma choradeira, um tal de quero voltar, blá, blá, blá. Não ‘tô pra isso.

– Você também morreu?

– Nossa, há muito tempo. Peste Negra.

– Aqui no Brasil? Teve peste negra no Brasil? Não me lembro de ter aprendido…

– Claro que não. Mal tinha gente por cá. Morri na França, em Lyon.

– Francês, então?

– Não, Alemão. Estava viajando com minha esposa. Também morreu, mas resolveu reencarnar.

– Oi?

– Olha, você não devia vagar por aí desinformada. Eu, se fosse você, ia até o departamento de acolhimento.

– O que é isso?

– O que é isso não importa agora, mas sim onde é isso. Entra naquele prédio ali na frente, passa direto pela recepção e entra no segundo elevador a contar da direita para esquerda. Então aperta o botão do andar 31. Alguém vai te receber lá.

– Quem?

– Não sei quem está lá agora. Olha, um amigo meu vai morrer de novo, preciso ir recebê-lo. 31, segundo elevador da direita para esquerda. Não esquece! – e antes que ela pudesse responder, ele desapareceu.

Sem pensar muito no assunto, Isabela entrou no prédio, cumprimentou o recepcionista por hábito e ele, obviamente, não respondeu. Atravessou por baixo da catraca de controle de entrada, visto que não tinha permissão oficial para entrar no edifício, e ficou a espera que alguém reclamasse e pedisse a sua identificação. Como nada aconteceu, parou em frente ao elevador e depois da quinta tentativa aceitou que não seria capaz de apertar o botão. Enfim, o elevador desceu ao térreo para Isabela descobrir que o prédio tinha apenas 30 andares. Tenho a certeza de que ele disse 31. Teria me enganado? Deve ser o trinta… De qualquer maneira, como aperto o botão com essa mão morta? 

O elevador começou a subir em resposta ao comando de dois executivos que comentavam entusiasmados sobre “as gostosas que eles tinham comido depois da festa de ontem”. Ao baixar a cabeça, num sinal inútil de repreensão, Isabela notou no chão uma seta apontando para a parede. Na parede, três setas em sequência indicavam o teto e no teto… O botão 31! E essa agora? Como alcanço esse maldito botão? Que ideia de jegue! Deixa eu ver… Se eu esticar a mão...”

 Tudo começou a rodar muito rápido e Isabela foi cuspida para fora do elevador.

******************

Me conta de gostou?!!!!! Agora, se quiser continuar a ler essa divertida história, acesse meu perfil no wattpad! A cada semana, lançarei novos capítulos. O wattpad é uma plataforma gratuita para leitores e escritores. Você pode ler milhões de histórias no próprio site ou baixar o aplicativo para celulares. 

Sinopse de Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas Depois de Morto

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Essa é a capa! Gostaram?

Isabela morreu.
Descanse em paz! Ou não…

Quando Isabela morreu, ela esperava ser recebida por São Pedro, que lhe abriria as portas de seu paraíso no céu com uma promessa de paz eterna. Só que não foi bem assim que aconteceu.

A morte apresenta à Isabela possibilidades infinitas de liberdade, de reflexão e de conhecimento, porém, os problemas de sua filha, Luísa, e as preocupações de seu marido, Ricardo, continuarão a assombrá-la.

“Como fazer amigos e influenciar pessoas depois de morto” narra de forma divertida as peripécias de Isabela na sua vida pós-morte e a sua necessidade de continuar orientando as decisões sobre carreira, relacionamentos e até sobre a maneira de se vestir de Luísa e Ricardo. Para isso, ela procurará antigos amigos, fará novas amizades e tentará influenciar os mais sábios para que lhe revelem truques e informações que possam ser úteis na sua tarefa. Pelo caminho, ela acabará por ajudar outras almas ainda apegadas à vida na Terra enquanto observa a aproximação de Ricardo e Luísa e o descobrimento de cada um sobre si mesmo.

Agradeço a todos que tiveram a coragem de ser um dos primeiros leitores dessa história e de fazer as devidas críticas para melhorá-la

“Talvez a morte tenha mais segredos para nos revelar que a vida”

Gustave Flaubert

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6 comentários sobre “O meu primeiro romance!

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