Livros que fazem a diferença

Existem vários livros que li e que me influenciaram. Alguns como referência, outros com inspiração ou iluminando alguns estilos de escrita. Entretanto, existem dois específicos que me ajudaram muito no processo de escrever e de revisar o meu primeiro romance (ainda não publicado, está em fase de revisão, aguardem) .

Capa Sobre a escrita.inddSOBRE A ESCRITA, de Stephen King: a quantidade de dicas e informações relevantes nesse livro é impagável (sem contar que é o Stephen King escrevendo, por isso é super gostoso de ler e, muitas vezes, engraçadíssimo. Recomendo até para quem não é escritor). Algumas dicas preciosas, resumidas, que tirei do livro:

– Escreva para você mesmo

– Cuidado com o abuso no uso de advérbios

– Evite a voz passiva (eu ainda uso muito 😦  Me esforçando para se livrar do hábito)

– Escreva muito, todos os dias.  (leia muito também, mas como já lia mesmo… Não considerei a mais importante. Então… comecei a ler vários textos de autores independentes e percebi que há uma falta de “bagagem” incrível. Existem vários tipos de (bons) escritores, mas nenhum que não leia)

– Encontre o seu lugar de escrever (eu ainda estou procurando. Por enquanto, vai onde der) e desconecte-se do mundo

– Escreva sobre o que você sabe (fundamental. Um dia retornarei a esse assunto)

E, o que foi super mega hiper importante para eu conseguir finalizar o meu primeiro romance foi a dica sobre revisão.

King afirma que:

  1. Durante o processo de escrita, ninguém lê o que ele está escrevendo: eu fiz a bobagem de, na minha primeira tentativa de escrever um romance, ao final do 10º ou 13º capítulo, pedir opinião para minha irmã, mãe e umas duas amigas. Pronto! Cada uma tinha uma sugestão e eu, que ja estava insegura, não tinha mais a certeza de estar no caminho certo. Tentei incorporar as ideias e observações de todo mundo, acabei tentando escrever sobre o que não sabia (lembra da dica aí de cima) e a história perdeu o rumo, ficou sem sentido e morreu antes do fim.
  2. Após terminar o livro, espere 6 semanas, pelo menos, para o reler: Fundamental. Logo depois que você termina de escrever uma história, você ainda está muito apegado aos personagens e às ideias que colocou no papel. É preciso cortar o cordão umbilical antes de revisar. Eu fiz isso e no meio tempo pedi para 3 amigos que gostam muito de ler e não têm problemas em serem críticos para lerem o manuscrito. Resultado? Depois de um pouco mais de 6 semanas, reduzi o começo e mudei o final. Sem dó.
  3. Tenha coragem de cortar: pois é… Depois das 6 semanas o mais provável é que você perceba que várias ideias, frases e até personagens não estão acrescentando nada à história. Na escrita também, na maioria das vezes, menos é mais. Que venha a caneta vermelha! No meu caso, foi principalmente no começo do livro: eu achava que tinha escrito várias ideias legais, mas estava tão longo e arrastado que, com certeza, faria as pessoas desistirem antes de chegar na parte bacana. Canetada em várias e várias páginas. Transformei 8 capítulos em dois!

jornada_capa1JORNADA DO ESCRITOR, ESTRUTURA MÍTICA PARA ESCRITORES, de Christopher Vogler: Esse livro é interessante porque desmonta a estrutura de narrativas tendo como base o livro de Joseph CampbellA Jornada do Herói e seus 12 estágios:

  1. Mundo comum: o ponto de partida
  2. o Chamado da aventura*: o que vai tirar o “herói” do seu estado comum
  3. A reticência do herói ou recusa do chamada: “Oxi, que eu não vou me meter nisso não”
  4. Encontro com mentor ou ajuda sobrenatural: alguém que o vai convencer a embarcar na aventura
  5. Cruzamento do primeiro portal: um símbolo de passagem do estado comum para o estado de aventura
  6. Provações, aliados e inimigos: o desenrolar da história
  7. Aproximação: Êxitos! Algumas situações em que parece que a coisa está correndo bem
  8. Provação difícil ou dramática: a maior crise da aventura ou morte (aqui que eu tinha falhado. Não existia essa parte e o livro tinha um final morno)
  9. Recompensa: “se deu bem, mercê algo em troca”
  10. O caminho de volta: começa a voltar para o lugar de onde partiu, absorvendo um pouco o que aprendeu na jornada
  11. A ressurreição: um último teste, aquele em que ele usará tudo o que aprendeu
  12. Regresso com o Elixir: algo que ele usará para ajudar todos do mundo comum

 Assim, ao longo do texto, ele explica o papel de cada personagem, de cada parte da história, suas variáveis, sempre apresentando exemplos de roteiros ou de livros.

* Importante: essa estrutura não vale apenas para livros de aventura numa comédia romântica, por exemplo, o estado comum pode ser um cara que não está interessado em casar, até ele conhecer a mulher dos seus sonhos (chamado para aventura), mas ele dá uma bola fora e decidida que quer mesmo ser solteiro até encontrar um amigo que se casou e está muito feliz (mentor) e sai em busca de conquista-la. A travessia do portal pode ser ele jogando todas as playboys e bebidas no lixo fora e recusando uma noite de balada. Os amigos serão aqueles que lhe ajudarão a se tornar um homem “para casar” e conquistar o seu amor, os inimigos podem ser humanos – amigos da sua vida antiga – ou um bar que ele sempre passa em frente, uma antiga amiga colorida, etc… A provação: ela pode cansar de o esperar e arranjar um namorado sério e ele tem que a convencer que ele é o cara certo para ela. A recompensa? O relacionamento com ela. O caminho de volta: a volta para a rotina depois da conquista. A ressurreição? Ele vai para uma festa com ela e encontra tudo aquilo que ele gostava na vida de solteiro e se comporta adequadamente. O Elixir: convencer os outros amigos “baladeiros” que a vida de casado é bacana.

Nem todas as histórias ou roteiros precisam ter exatamente essa estrutura, mas ela está presente, mesmo que sem perceber, na maioria delas. Por outro lado, ter a estrutura não é garantia de sucesso (bom livro).

No meu caso, enquanto esperava as 6 semanas para rever meu livro, li a Jornada do Escritor e, sem precisar retornar ao meu manuscrito, ja tinha percebido onde estava a minha grande falha: meu herói (no caso, heroína) não passa pela provação, por aquele encontro com a possibilidade de morte (mesmo que simbólica), pelo ápice da tensão e do suspense. Eu sabia o que tinha que fazer: rescrevi o final.

E você? Tem algum livro que ache que foi muito importante para você? Comente aí embaixo!

Anúncios

Um comentário sobre “Livros que fazem a diferença

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s